Com recorrência vêm à memória,
marcantes momentos de infância,
enormes em felicidade e abundância,
tão grande era o desejo de vitória.
Défice de bens materiais foi o motivo,
em sonhos tantas vezes se cruzavam,
com ambição e interesse expressivo,
em pueril sono tranquilo se replicavam.
De vivências oníricas efémeras é certo,
desfrutadas com intensidade imensa,
diversão noctívaga frustre a descoberto,
desejo de conquista que recompensa.
Trilhos vezes sem conta percorridos
em albarda burras duas divididos,
os novos ladeados pelos mais velhos,
não vão para trás ficar os fedelhos.
Sem cronómetro a escala se definia,
tempo de rega a cada um se marcava,
equilibrado o labor que se distribuía,
outro da pesca ou banho desfrutava.
Tapa olhos na burra que voltas dava,
a água que menos ou mais corria,
com a verga por vezes chicoteada,
quando a pressa sempre conviria.
